
As citações figuram como importantes elementos na composição do trabalho acadêmico, seja do artigo ou da monografia. São elas que nos dão apoio e referencial das ideias que vamos refutar ou que pretendemos endossar.
No entanto, é preciso empregá-las com cautela. Temos visto muitos textos por aí que são verdadeiras obras do ctrl+c e crtl+v, o famoso recurso de copiar e colar.
Para que nossas produções intelectuais não se assemelhem a um patchwork - colcha de retalhos, alguns critérios precisam ser observados. Umberto Eco, em seu livro Como se faz uma tese (1998, p. 121-126) dá 10 orientações sobre como e quando citar. Vejamos suas sugestões:
1. A amplitude do uso de citações justifica-se apenas para textos que são objeto de nossa análise. Apensas documentos ou fontes primárias merecem profusão de citações em um texto;
2. Para os textos secundários, comentaristas e doutrinadores, a regra que vale é a do comedimento nas citações. A literatura crítica só é citada quando corrobora ou confirma nossa interpretação;
3. A citação de um texto pressupõe compartilhamento. Caso não façamos nenhuma crítica ao texto citado, pressupõe-se que compartilhamos da ideia do autor;
4. As citações exigem remissão clara ao autor e à obra por meio de referências ou notas;
5. As fontes primárias devem ser citadas a partir da edição crítica ou a mais conceituada;
6. As citações de textos em língua estrangeira exigem a transcrição do trecho original em nota de rodapé;
7. As citações breves (até três linhas) são feitas no próprio corpo do texto;
8. Para as citações longas (mais de três linhas), recuamos o texto quatro centímetros à direita, de forma blocada, com fonte menor;
9. As citações devem ser fiéis: não se pode mudar a forma de expressão do autor. Sublinhados, interpolações (comentários no meio de uma citação) e elipses (cortes de texto) devem ser expressamente indicadas;
10. Como diz Eco, "citar é como testemunha em um processo". Além da fidedignidade da informação, a fonte precisa ser indicada de forma clara, para que possa ser averiguada por todos.
Em síntese, o que vale mesmo é o bom senso do pesquisador. No mais, vale a regra: citamos um texto que em seguida será interpretado ou citamos um texto em apoio à nossa própria interpretação.