Os passos para se elaborar uma monografia são apresentados neste texto, de forma sintética, buscando orientar estudantes que têm a missão de redigir um trabalho monográfico. | |
Tema deve ser delimitado Veja aqui alguns critérios que podem auxiliá-lo a ter êxito nesta etapa de definição da pesquisa. |
Problema com o problema? A formulação do problema é crucial para bom êxito da pesquisa. Saiba como ela ocorre. |
O que é pesquisa? Para que se pesquisa em ciências sociais aplicadas? |
Artigo explica como apresentar objetivos gerais e específicos do projeto |
Pesquisa tem que ser relevante; projeto deve indicar sua importância social e científica |
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Enfim, férias!
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sobre internet e plágio
Como lidar com o plágio em sala de aula
sábado, 6 de dezembro de 2008
Textos do blog aparecem na 1ª página do Google
Dentre 510 mil páginas contendo as palavras "justificativa" e "projeto", um dos textos do blog apareceu em 2º lugar no buscador, em consulta feita às 15h15 deste sábado (6).
O artigo "Falando sobre delimitação do tema" apareceu hoje em 4º lugar na primeira página do Google, num total de 303 mil páginas buscadas pela ferramenta.
Na consulta por blog+metodologia da pesquisa, que resulta em 18.600 páginas, o blog está na primeira página, em décima posição.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Justificativas: a relevância do projeto
Isto porque a pesquisa científica é um empreendimento social, exigindo-se dela uma contribuição não só para a área de conhecimento na qual o projeto se insere, mas também para a sociedade de um modo mais amplo.
Desta forma, ao elaborar o projeto, precisamos elencar as razões pelas quais nossa pesquisa deve ser apoiada institucionalmente. Tais razões constituem o que chamamos, no projeto, de justificativas.
São dois os tipos ou critérios de justificativas em um projeto de pesquisa: a relevância social e a relevância científica.
Todo projeto é relevante socialmente quando contribui, de alguma forma, para melhoria da sociedade, para compreensão do mundo em que vivemos ou ainda para desenvolvimento e emancipação do homem. Mesmo um projeto de tema absolutamente técnico deve trazer uma contribuição para a sociedade.
De modo mais específico, espera-se que todo projeto de pesquisa traga uma contribuição acadêmica e científica para a sua área de conhecimento.
Apresentação formal do projeto
Estressados com o projeto

terça-feira, 11 de novembro de 2008
Objetivos gerais e específicos
Cumpre ainda dizer que os objetivos têm função norteadora no momento da leitura e avaliação do TCC ou da tese. Isto porque, um trabalho acadêmico é julgado, em grande parte, pela capacidade de cumprir os objetivos que se propõem em suas páginas iniciais. Então, o alerta é: cuidado na hora de estabelecer os objetivos. Além de claros, estes têm que ser exequíveis.
domingo, 9 de novembro de 2008
Formulação do problema
Pelo que tenho visto, a dificuldade maior da problematização pelos estudantes decorre mais pela falta de maturidade ou de conhecimento do tema, do que pela dificuldade própria de construção do problema. Um tema bem delimitado e uma revisão sistemática da bibliografia já anunciam para o pleno êxito na formulação de um problema de pesquisa.
Não adianta, entretanto, querer pular etapa e ir direto ao problema, já que este resulta de um processo de amadurecimento e reflexão sobre um assunto, que depois se tornará um tema, até se chegar à problemática.
Do ponto de vista metodológico, um problema de pesquisa deve atender a alguns requisitos. Como sugere Gil (2002), um problema deve ser:
a) claro e preciso (todos os conceitos e termos usados em sua enunciação não podem causar ambiguidades ou dúvidas);
b) empírico, isto é, observável na realidade, que pode ser captado pela observação do cientista social através de técnicas e métodos apropriados;
c) delimitado;
d) passível de solução (é necessário que haja maneira de produzir uma solução para o problema dentro de critérios metodológicos e de cientificidade).
As quatro dimensões citadas acima devem ser usadas como um crivo para o pesquisador examinar a consistência do seu problema. Antes de formulá-lo no papel, seria oportuno questionar-se: o problema, nos termos que o coloco, é claro? trata-se de questão passível de solução? é delimitado? é empírico?
Para formular o problema, devemos transformar o tema em uma pergunta. Por isso, o melhor caminho para a redação da problemática no corpo do texto do projeto é utilizar uma de frase interrogativa.
Em geral, os pesquisadores em ciências sociais e nas ciências naturais têm em mente perguntas de relação causal ou aquelas que visam conceituar e descrever a ocorrência de um determinado fenômeno.
O que é e como ocorre o fenômeno? Por que ele se manifesta? Quais são seus efeitos e impactos? Estas são algumas das formulações lógicas que podem orientar uma problematização, dependendo, é claro, do objetivo do pesquisador. Uma pesquisa que investigue a relação causal, por exemplo, terá que questionar acerca da causa do fenômeno e não sobre como o mesmo se dá. Este último enfoque resultaria em uma pesquisa descritiva e não explicativa.
A experiência tem mostrado que a utilização dos critérios mencionados acima gera resultados satisfatórios. No entanto, é necessário que se repita: o problema resulta de um trabalho arduamente desenvolvido pelo pesquisador e não surge do vácuo.
sábado, 25 de outubro de 2008
Critérios para delimitação do tema
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
ICAH disponibiliza versão integral de artigo
domingo, 28 de setembro de 2008
Projeto de pesquisa: um exemplo
Fernanda Rodrigues da Silva
Renata Nascimento Silva
Faculdades Integradas Claretianas
sábado, 6 de setembro de 2008
Falando sobre delimitação do tema
Um belo dia, um estudante procurou seu professor de metodologia e disse que queria fazer um projeto de pesquisa. O mestre ficou satisfeito e indagou:
_Muito bom meu aluno, mas me diga, qual o tema de seu projeto?
O aluno, mais satisfeito ainda disse, singelamente:
_Professor, quero pesquisar sobre Deus e o Mundo.
Rapidamente o ar de satisfação do profesor foi tomado por uma expressão de desespero.
_ Mas, meu aluno - interpelou o mestre -, esse assunto é muito vasto. Homens ilustres e sábios já tentaram discorrer sobre isso e não conseguiram no decurso de uma vida. Você precisa delimitar o seu tema.
O aluno fitou o mestre, mais desanimado do que este. Justo agora aque ele parecia ter entendido todas aquelas coisas que se ensinavam nas aulas de metodologia! O professor percebeu e não quis desestimular o aluno. Recomendou-lhe a leitura de alguns livros, do Severino, do Umberto Eco, do Salomon e pediu que o jovem retornasse na próxima semana.
Algus dias depois, aparece o jovem aluno, todo sorridente, trazendo debaixo dos braços uma pilha de compêndios.
_Professor, agora eu delimitei o meu tema. Quero estudar apenas o mundo...
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Escolha do tema
Em geral, a primeira escolha que fazemos de um assunto ou área de pesquisa não apresenta um recorte muito preciso, exigindo que depois se retrabalhe o alvo de nosso interesse e assim se chegue à definição do tema.
Muito frequentemente os alunos partem para essa tarefa sem ter nenhuma idéia em mente sobre o que querem pesquisar. Ou ainda, quando têm um interesse, este se apresenta de forma muito abrangente e indefinida, manifestada por frases do tipo: "Professor, gostaria de fazer um estudo sobre contabilidade tributária", ou ainda, "Queria estudar sobre teorias da administração". Com o tempo, é natural que esse interesse geral vá se aprofundando e surja daí o verdadeiro tema do projeto.
Para aqueles que ainda não fizeram a escolha do tema, há alguns conselhos práticos - mais do que regras - que são formulados por Umberto Eco (Como se faz uma tese, São Paulo, Perspectiva, 2005, p. 6) e podem orientar o pesquisador, seja iniciante ou experiente:
1. O tema deve interessar ao aluno. Não adianta escolher temas que sejam impostos ou sobre os quais não se tenha qualquer motivação para seu estudo.
2. As fontes de pesquisa devem ser acessíveis. Antes de elaborar um projeto sobre um determinado assunto é preciso saber se as fontes para o seu estudo (documentação, bibliografia, etc.) estão ao "alcance material", ou seja, se estão disponíveis. De nada adiantaria escolher um assunto de pesquisa acerca do qual não teria a disponibilidade de acesso ao material, seja pelo fato das fontes serem raras ou pela área definida ser ainda muito nova ou altamente especializada.
3. Mesmo que estejam ao meu alcance material, as fontes devem ser manejáveis, isto é, estar ao "alcance cultural". Posso ter na biblioteca da minha faculdade as obras completas do autor que pretendo estudar, mas todas no original em alemão, língua a qual eu não domino, impedindo-me de manejar, ou utilizar, aquela documentação. Assim, neste exemplo, teríamos fontes acessíveis, mas não manejáveis.
4. Por fim, é preciso refletir se a metodologia e a teoria que pretendo empregar em minha pesquisa são adequadas à minha experiência. Não é raro que busquemos nos enveredar por áreas que exijam, previamente, uma série de conceitos e de conhecimentos teóricos. O que ocorre é que não dá para "improvisar" em uma pesquisa. É preferível escolher uma abordagem menos "ousada", mas perfeitamente executável, do que pretender usar a "última teoria" e não ter domínio sequer dos seus conceitos básicos.
Como se vê, não há uma receita milagrosa para a escolha do tema. Este é fruto de muito trabalho e pesquisa. O que se pode é tentar aprender com a experiência daqueles que já passaram por esses mesmos dilemas e conseguiram "sobreviver" aos seus trabalhos de conclusão e teses de pós-graduação. Boa sorte.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Tensão pré-monografia

Se você vem sofrendo de TPM - tensão pré monografia, então acesse a comunidade no Orkut e entre para esse time!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Estrutura do projeto de pesquisa
segunda-feira, 28 de julho de 2008
O projeto de pesquisa e sua finalidade
Mesmo a pesquisa sendo um processo dialético, não se pode dispensar a sistematização prévia do que se pretende fazer, de como proceder e a que resultados se espera chegar.
Dificilmente se terá êxito em uma pesquisa cuja coleta de dados seja feita de forma assistemática e sem um norteamento teórico-metodológico.
A finalidade científica do projeto, então, é esclarecer ao próprio pesquisador as questões que ele pretende enfrentar e quais as estratégias as quais lançará mão para surpreendê-las.
Além do caráter de planejamento prévio de uma pesquisa - antecedendo a elaboração de teses e trabalhos de conclusão de curso -, o projeto tem outras finalidades, que podemos chamar de institucionais.
Em geral, os cursos de graduação exigem que os estudantes apresentem um projeto ou pré-projeto de pesquisa antes da elaboração da monografia final. É uma forma de se avaliar se o caminho adotado pelo aluno poderá surtir os efeitos esperados, auxiliando-o na formulação construção de um objeto de investigação.
Cursos de pós-graduação também solicitam dos candidatos projetos de pesquisa. São várias razões: verificar a pertinência do projeto na linha de pesquisa do programa; analisar a exequibilidade do projeto (ou seja, se o candidato conseguirá dar conta do que está se propondo); verificar o manejo do candidato de conceitos, teorias e metodologias.
As instiuições de pesquisa - tais como o CNPq - também exigem a apresentação de projetos de pesquisa pelos mesmos motivos expostos acima, visando avaliar também se o projeto se enquadra nas linhas de financiamento e se o mesmo apresenta relevância científica e social para ser fomentado através de uma bolsa de estudos.
Como vimos, a finalidade do projeto de pesquisa é dupla: científica e institucional. Desta forma, sua produção deve ser rigorosa, atendendo tanto às exigências da própria pesquisa, bem como das instituições na qual ela se insere.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Planejamento de estudos de caso em Administração
Alunos apresentam temas de estudo de caso
Grupo | Tema | Delineamento |
Jeniffer e Carlos Alberto | Vendedores | objetivos definição de casos coleta de dados |
Eder, Pedro, Thamires, Carlos e Guilherme | Resíduos industriais | Objetivo Analisar os impactos ambientais causados por resíduos sólidos e líquidos lançado no meio ambiente por frigoríficos e como amenizar estes impactos. Definição de casos Frigorífico em Batayporã (MS) Coleta de dados Entrevista com bióloga responsável por frigorífico |
Maycon, Bruno, Paulo, Carlos Henrique, João Rafael | Estudo de crediário | Objetivo Investigar crediário em Supermercado, analisando forma de pagamento, forma de cobranças, cadastro de clientes, prazo e inadimplência Supermercado em Nova Andradina (MS) |
Fernanda e Wesley | Vendas | Objetivo Identificar o modo de atendimento dos vendedores e seu conhecimento em relação ao produto vendido Detectar a satisfação do cliente Definição de caso Empresa comercial do setor de peças localizada em Nova Andradina (MS). O estudo será feito em apenas um caso.A análise feita somente em uma empresa. |
terça-feira, 24 de junho de 2008
O design do estudo de caso
domingo, 1 de junho de 2008
O que é pesquisa? Para que?
Sob este enfoque, podemos trazer aqui a definição de Pedro Demo, para quem "pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade" (DEMO, 1987, p. 23). Deve-se observar que a realidade a que se refere Demo é a realidade social, alvo de investigação das ciências humanas e sociais, entre as quais as ciências sociais aplicadas, na qual se situam a Administração e as Ciências Contábeis.
Quanto às operações intelectuais envolvidas no processo de investigação, evocamos a definição de Delcio Salomon, que traduz muito bem o que é uma pesquisa e o que nela está envolvido: "Trabalho empreendido metodologicamente, quando surge um problema, para o qual se procura a solução adequada de natureza científica" (SALOMON, 2001, p. 152).
Pesquisa é, portanto, a investigação de um problema (teórico ou empírico) realizada a partir de uma metodologia (que envolve tanto formas de abordagem do problema quanto os procedimentos de coleta de dados), cujos resultados devem ser válidos, embora a provisoriedade seja uma característica do conhecimento científico.
Uma vez definida a pesquisa, precisamos indagar sobre quais as razões de sua realização. Seguindo Richardson, os cientistas sociais pesquisam para: a) resolver problemas sociais; b)formular novas teorias e criar novos conhecimentos; c) testar teorias existentes em um campo científico (RICHARDSON, 1989, p. 16-17).
As razões apontadas valem para quase todas as ciências humanas e sociais, mas ainda devemos elencar quais seriam as exigências de se pesquisar em Administração e Contabilidade. Como bem formula Matias-Pereira, pesquisa-se nestas áreas, entre outros motivos, para "gerar conhecimento sobre o processo de planejamento, organização, acompanhamento e controle que ocorrem em organizações", bem como para "aumentar a eficiência e eficácia" nestas instituições (MATIAS-PEREIRA, 2007, p. 29).
O pesquisador das duas áreas não pode perder o foco, ainda, naquilo que deve motivar toda pesquisa: a melhoria das condições de vida do homem ou, como escreve Matias-Pereira, o "desenvolvimento social".
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Delineamento de pesquisas em Contabilidade e Administração
O que nos interessa é verificar como as pesquisas relacionadas foram elaboradas, quais os procedimentos de coleta de dados e análises foram empregados pelos pesquisadores. O objetivo não é criar um modelo, mas possibilitar um acompanhamento didático dos procedimentos através da abordagem de casos concretos.
Para discussão de estudo de caso, analisaremos o texto Teoria da contingência e contabilidade gerencial: um estudo de caso sobre o processo de mudança na Controladoria do Banco do Brasil; na área de administração, temos o trabalho A administração de caixa em empresas de pequeno porte : estudo de caso no setor hoteleiro de Salvador-BA.
Já para os estudos com enfoque quantitativo, veremos O call center e a fidelização de clientes: um estudo quantitativo no setor bancário de São Paulo.
Como se vê, selecionei estudos qualitativos e quantitativos, visando mostrar os diferentes designs metodológicos possíveis em pesquisa. Não propomos uma dicotomia entre os dois métodos, mas sim mostrar suas diferenças e aplicabilidades no contexto da pesquisa científica em contabilidade e administração.
Boas leituras.
terça-feira, 13 de maio de 2008
O fichamento de leitura

O fichamento é uma técnica de estudo e ferramenta imprescindível de todo pesquisador. Seu nome nos remete para o modo artesanal através do qual a técnica se desenvolveu: da prática de registro de informações em fichas, objetivando a sistematização ou reflexão do conhecimento.
Hoje, com o auxílio da informática, temos ao alcance programas de bancos de dados, que permitem este trabalho e praticamente eliminam o papel no processo de sua formulação. Todas as informações são registradas em fichas digitais. Mas ainda assim, constituem-se fichas e fichamentos...
Uma boa ficha de leitura (independente do suporte, digital ou analógico) serve para sistematizar o conteúdo essencial de uma obra, bem como articulá-lo com nossa reflexão pessoal.
Com sua experiência de pesquisador e escritor, Umberto Eco (1983, p. 96-111) propõe que uma ficha de leitura contenha alguns elementos, como podemos visualizar acima. Os componentes principais são:
- Indicações bibliográficas da obra que está sendo fichada;
- Informações sobre o autor (quando não o conhecemos e necessitamos deste suporte);
- Citações literais de trechos mais importantes da obra (usando aspas nas transcrições);
- Comentários pessoais (quando fizermos nossas observações, é importante deixar claro seu caráter pessoal, diferenciando-as por cores ou usando colchetes para tudo aquilo que for opinião nossa e não do autor).
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Eu odeio metodologia
O título acima é o que você realmente está lendo. Só que a frase "Eu odeio metodologia" não sou eu quem está dizendo. É o título de várias comunidades no Orkut (rede de relacionamentos na Internet) que encontrei enquanto pesquisava sobre redes virtuais.
Movido por uma "curiosidade científica", entrei nas comunidades, buscando tentar compreender aquela manifestação. Em primeiro lugar elas revelam a irreverência estudantil, a livre maneira de se manifestar da juventude, e isto é ótimo.
No entanto, quando lemos os scraps, as mensagens deixadas, verificamos que tudo aquilo que os estudantes odeiam (por exemplo, fazer trabalho e apresentá-lo na frente da classe) não é necessariamente atributo da metodologia, e sim estratégias didáticas que variam de professor para professor e que não são exclusividade da metodologia.
Da mesma forma, observamos que há um apego ao entendimento de que a metodologia consiste em um conjunto inócuo de regras e normas, como se só estas (que são na verdade um capítulo muito pequeno dentro do rico e amplo universo da metodologia) existissem.
Também pude encontrar nestes scraps argumentos mais bizarros, como o de um estudante que disse que "ninguém merece" metodologia já que esta o obriga a dispor dos domingos para fazer trabalhos ao invés de se dedicar ao "laser" (assim mesmo, com "s"). No seu entendimento, a metodologia é "coisa de louco", ou ainda, uma "frescura".
Sei que afirmações como esta partem de alunos inteligentes, mas que infelizmente reproduzem de modo a-crítico um discurso cheio de falácias e pré-concepções. Tal discurso é vivo em ambientes onde não há tradição de pesquisa acadêmica e se pensa que o aluno deve ser preparado apenas para o mercado, como se hoje o próprio mercado não exigisse profissionais com múltiplas habilidades (veja-se, por exemplo, quantos graduados estão hoje em busca de tais qualificações em cursos de especialização e pós-graduação stricto sensu).
Pensei até em reagir, ao ver as comunidades virtuais desancando a metodologia, e formatar outra em resposta, defendendo a mim e a meus colegas que insistimos anos a fio a ensinar a pesquisar: "Eu odeio quem odeia metodologia".
Mas, pensando bem, eu também vou criar uma comunidade no Orkut para aqueles que odeiam metodologia. E na descrição vou relacionar todos os motivos que tornam a metodologia realmente odiosa:
- A metodologia nos obriga a pensar com critério e rigor (e pensar dói);
- A metodologia exige que ampliemos nosso vocabulário e que nos expressemos com clareza (falar axim, nem pensar);
- A metodologia torna complicada nossa vida, pois temos organizar os trabalhos que antes poderíamos fazer de qualquer jeito;
- A metodologia nos obriga ler, gastar horas de nosso tempo na frente de livros enquanto poderíamos estar na balada e nos churras;
- A metodologia quer nos emancipar da dependência intelectual, tornando-nos investigadores e não meros reprodutores de conhecimento, escravos das idéias alheias;
Por todas estas razões, "odiadores" de metodologia de todo o mundo, uni-vos.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Importância da documentação
As perguntas que surgem (ou ficam implícitas) são: para que fichar um texto? Ou ainda, por que devo fazer um resumo ou anotação? Em uma sociedade que prima pelo pragmatismo, não é de se estranhar que isso ocorra.
Só o fato de os fichamentos e demais trabalhos, como resumos, serem frequentemente solicitados em nossos cursos de graduação e pós-graduação já seria suficiente para justificar a sua importância. No entanto, há outros motivos ainda mais relevantes e que devem ser levados em consideração.
O estudante precisa compreender, antes de mais nada, que o ato de produzir uma documentação (fichários, anotações, resumos) a partir da leitura e das aulas corresponde a uma necessidade ligada ao próprio fator de aprendizagem. Quantos mais ativa a participação do aluno na construção do conhecimento, mais sucesso ele poderá obter em sua vida acadêmica.
O aluno em início de curso ainda não consegue visualizar que a monografia - ou Trabalho de Conclusão de Curso - que lhe será exigido ao final dos quatro ou cinco anos de estudo como requisito para sua aprovação demandará a sistematização e consolidação dos conhecimentos obtidos durante toda a graduação, aplicados a um tema e objeto circunscritos.
Pois bem, o TCC demandará grande dose de leituras, parte das quais já realizadas no decorrer da graduação. Caso o hábito de documentar-se já tenha sido incorporado desde o início do curso, ao final o estudante disporá de farto material (resumos, resenhas, levantamentos, fichários, anotações) para a realização de seu TCC. Além do mais, fichar novas leituras não será uma tarefa difícil, pois o graduando já disporá das técnicas necessárias para tal.
Assim sendo, quanto antes começarmos a fichar e a preparar documentação de estudo, melhor estaremos preparados para encarar os desafios futuros, sejam eles no mercado de trabalho, sejam na área acadêmica.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Leitura e resumo
domingo, 30 de março de 2008
Como resumir
Nesta semana vamos abordar um outro tipo de trabalho acadêmico bastante exigido nos cursos de graduação: o resumo.
Segundo a NBR 6028/2003 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), um resumo
sintetiza os pontos principais de um documento, podendo ser indicativo, informativo ou crítico.
Um resumo informativo é detalhado, trazendo informações sobre a finalidade, metodologia e conclusões a que chega o autor. Já o resumo indicativo pontua os aspectos principais do texto, mas não detalha informações quantitativas e qualitativas. Por fim, o resumo crítico, também chamado de resenha, consiste na análise crítica de um documento.
Para elaborar um resumo se faz necessário, antes de mais nada, uma leitura completa do texto. Durante esta leitura, vamos identificar as passagens mais importantes e as idéias principais do autor. É conveniente que a cada idéia identificada, assinalemos no canto do texto. Depois, em uma leitura mais detalhada, devemos voltar aos pontos assinalados e sublinhar aqueles que forem realmente centrais para o entendimento da tese do autor e do problema abordado no texto.
Somente depois desta leitura trabalhada é que vamos escrever o resumo. Por se tratar de trabalho de natureza informativa, devemos desenvolver no texto a sequência lógica de idéias do autor, que nos levem de seus objetivos iniciais e problematização ao esclarecimento de sua tese e de sua argumentação.
Um resumo desta natureza exige fidelidade ao pensamento do autor, exigindo a reelaboração da mensagem do autor com nossas próprias palavras. A menos que estejamos escrevendo um resumo crítico, não vamos pontuar no texto nossas opiniões pessoais.
Quanto ao estilo empregado, vale a recomendação de Délcio Salomon (2001: 114): use frases curtas e diretas.
No mais, além da prática constante da técnica (somente esta nos levará ao aperfeiçoamento da competência em resumir), fica uma última sugestão: leia resumos publicados em periódicos científicos de sua área. Além de se familiarizar com novas tendências em sua área técnico-cintífica, você poderá comparar os resumos indicativos elaborados pelos próprios autores com o teor do artigo, verificando assim o que é importante levar para o papel quando se resume um texto.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Quanto tempo leva?
A resposta a este questionamento demanda avaliar diversos fatores, alguns deles internos ao trabalho científico (diria-se intrínsecos) e outros externos ao trabalho, ou extrínsecos.
O fator externo mais determinante é o prazo concedido para a realização do trabalho pela instituição a qual se está vinculado (universidade, centro de pesquisa) ou pela agência que fomenta o trabalho (alguns pesquisadores obtêm bolsas e são pagos por agências governamentais ou não-governamentais para desenvolverem pesquisas).
Em geral, o prazo estipulado pelas instituições é de um ano para um trabalho de iniciação científica ou para o desenvolvimento de um trabalho de conclusão de curso. Dissertações de mestrado e teses de doutorado têm prazos mais longos (mas nem tanto assim), variando de 2 a 5 anos.
As variáveis intrínsecas são aquelas que correspondem às exigências de um trabalho científico, que demandam maior ou menor complexidade. Por exemplo, um trabalho que exija pesquisa experimental deve compreender neste cronograma um período para sua elaboração, além da análise dos dados, sua discussão e, finalmente, seu relato escrito (monografia). Da mesma forma, um estudo com base em documentação deve contemplar um prazo para a coleta das fontes, sua leitura, análise, discussão e redação do trabalho.
Em geral, para se cumprir os objetivos de um trabalho de conclusão de curso são necessários, no mínimo seis meses (aqui eu sigo Umberto Eco, em Como se faz uma tese, 1998, p. 14)e não mais do que um ano. As tarefas compreendidas na pesquisa (levantamento de dados, análise e redação) não consomem menos do que seis meses. De seis a 12 meses é o tempo ideal para desenvolvimento, geralmente coincidindo com o último ano da graduação (isso não significa que o estudante deva, necessariamente, deixar a tarefa para o último ano).
Quem tem a missão de escrever um TCC deve estar ciente, portanto, de que serão necessários pelo menos seis meses para a realização da tarefa. Por isso, a tarefa agora é pensar no tempo disponível, traçar objetivos e começar o trabalho. Até mais.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Ano novo, monografia à vista
Ainda estamos com aquele gostinho das festas, meio sem ritmo, sem vontade de encarar a pauleira do dia-a-dia. É, mas não tem jeito, não. Temos que recomeçar.
A cada ano que se inicia, fazemos aquele rápido balanço dos objetivos que atingimos no ano anterior e traçamos os novos desafios e metas que virão. Dentre todas as conquistas que serão batalhadas neste ano, uma com certeza é capaz de tirar o sono de muita gente e chega a dar azia (sem fazer referência à comilança das ceias natalinas e de réveillon): a monografia ou o chamado trabalho de conclusão de curso (TCC).
Trabalhos acadêmicos são hoje exigência para uma maior qualificação do profissional. Por isso, não pode ser encarado como aquelas atividades que planejamos no início de um ano, mas que sempre quebramos ou adiamos, como iniciar uma dieta.
Já que é inevitável, vamos aproveitar para pôr a mão na massa o mais rápido possível, sem postergar, sem se escorar em pensamentos do tipo "Depois do carnaval eu começo" ou, "Deixa começar as aulas, aí eu vejo o que faço"...
Aproveite o frescor do novo ano para iniciar seu projeto e, quem sabe lá pelo início do segundo semestre, sua monografia já não esteja bastante adiantada.
Neste ano eu também estou deixando de lado as justificativas ("Não tenho tempo" ou "Estou afogado em tarefas") e me lanço à tarefa de alimentar este blog. Aqui, procurarei compartilhar minha experiência em metodologia da pesquisa, respaldada em minha atividade de pesquisador e de docente na disciplina há oito anos, tanto em cursos de graduação como de pós-graduação.
Passarei a escrever aqui semanalmente. Todos os comentários e contribuições serão bem-vindos. Penso que este blog é - e deve ser de fato - um espaço de trocas. Por isso, lanço o convite para que iniciemos juntos essa nova jornada (eu, com este blog e o leitor, com sua monografia)estabelecendo um diálogo motivador. No mais, iremos conversando ao longo deste "restinho" de ano que ainda temos pela frente.